Sejam bem-vindos ao nosso Blog.

Em 35 anos ininterruptos de Magistério comemorados em Abril do ano de 2015, sempre trabalhando com as Línguas Portuguesa, Inglesa e Alemã e suas respectivas Literaturas ainda me encanto, como no primeiro dia, como na minha primeira sala de aula, quando vejo nos olhos dos meus alunos a alegria de desvendar o novo e ver que aprendo com eles a transformar o mundo através dos textos.

O nosso objetivo aqui é levar aos nossos visitantes uma visão geral da Língua e Cultura Germânicas. Para todos os que se interessam por Línguas Estrangeiras, principalmente as Línguas Inglesa e Alemã, oferecemos um panorama, embora modesto devido às limitações de espaço, da Cultura e Literatura dessas Línguas, esperando que viajem conosco nas maravilhas dos seus textos e imagens e que tenham momentos agradáveis de boa leitura e ao mesmo tempo de puro lazer.

Espero que gostem.

De coração.

clara cibele


quinta-feira, 24 de abril de 2014

A DESCOBERTA DA DOENÇA DE ALZHEIMER

A descoberta da doença de Alzheimer
Na época do Império sob o comando de Otto von Bismarck que durou até o fim da Primeira Guerra Mundial, o alemão era a principal língua dos meios científicos. Universidades e asilos formavam toda uma geração de psiquiatras alemães.  A partir daí, começou-se a classificar as doenças mentais, não a partir de sintomas isolados, mas de sua unidade clínica e também o pressuposto de que ao menos parte da etiologia das doenças mentais era genética ou orgânica.
No dia 25 de Novembro de 1901, a paciente Auguste D. foi levada por seu marido Karl Deter, para ser internada no Sanatório Municipal para Dementes e Epilépticos de Frankfurt, após os primeiros sintomas de demência desde esquecimentos e dúvidas, desleixo com a casa, descontrole com o dinheiro até chegar a momentos de agressividade. Ela tinha sido encaminhada pelo Departamento de Psiquiatria Real da cidade por causa das reclamações dos vizinhos.Tudo isso desencadeado por uma suspeita de traição com relação ao marido que a deixara abalada e mais ansiosa que o habitual.
O médico que recebeu Auguste avisou seu chefe, o neurologista Alois Alzheimer(1864-1015), sobre a chegada de um caso interessante na instituição. O Dr. Alzheimer decidiu entrevistá-la pessoalmente. As respostas foram sempre desconexas. Um exemplo deste diálogo a seguir:
§  Em que rua você mora?
§  Eu consigo dizer, tenho que esperar...
§  O que eu perguntei?
§  Isso é Frankfurt.
§  Qual é o seu endereço?
§  Waldemarstrasse. Espere, não, não.
§  Quando você se casou?
§  Agora eu não sei. A mulher mora no mesmo andar.
§  Quem?
§  A mulher onde estamos morando. Sra. G. ! Sra. G.!
§  O que são essas coisas?
§  Uma chave. Um lápis. Um livro.
§  O que eu acabei de mostrar?
§  Eu não sei.
§  É difícil?
§  Tão ansiosa. Tão ...
§  Quantos dedos tem aqui?
§  Três.
§  Certo. Quantos dedos eu mostrei?
§  Isso é Frankfurt... eu me perdi de mim mesma.
Auguste foi piorando até ao ponto de ser levada para uma sala de isolamento porque o convívio com outros pacientes também se tornou difícil. Ela passou a agredi-los.
Auguste morreu aos 56 anos depois de seis meses completamente desorientada. Cada dia mais magra e triste. Já não falava nada que soasse coerente, não conseguia mais se alimentar por conta própria e apresentava surtos de agitação cada vez mais intensos.
Quando Auguste faleceu, o Dr. Alzheimer pediu que o diretor do sanatório  lhe enviasse os prontuários médicos do caso e o cérebro da paciente. A dissecação revelou atrofia cerebral generalizada, sem nenhuma grande lesão aparente. Os vasos sanguíneos revelavam aterosclerose, mas não apresentavam sinais de derrames. Algumas células, entretanto revelavam alterações estruturais: as fibrilas estavam mais espessas do que o normal.  Elas se agrupavam a outras, também espessas, formando emaranhados na superfície celular. Em alguns casos, havia a presença desses densos novelos no lugar do núcleo, e a célula havia se desintegrado.

O Dr. Alzheimer só foi reconhecido um ano depois quando decide publicar o caso de maneira reduzida com o título: “ Sobre uma estranha doença do córtex cerebral”
                                            (CASOS CLÍNICOS)